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CARACTERIZAO DA REA DE GEOGRAFIA
Geografia no ensino fundamental
A produo acadmica em torno da concepo de Geografia passou por diferentes momentos, gerando
reflexes distintas acerca dos objetos e mtodos do fazer geogrfico. De certa forma, essas
reflexes influenciaram e ainda influenciam muitas das prticas de ensino. Em linhas gerais, suas principais
tendncias podem assim ser apresentadas.
As primeiras tendncias da Geografia no Brasil nasceram com a fundao da Faculdade de Filosofia
da Universidade de So Paulo e do Departamento de Geografia, quando, a partir da dcada de 40, a disciplina
Geografia passou a ser ensinada por professores licenciados, com forte influncia da escola francesa de
Vidal de La Blanche.
Essa Geografia era marcada pela explicao objetiva e quantitativa da realidade que fundamentava a
escola francesa de ento. Foi essa escola que imprimiu ao pensamento geogrfico o mito da cincia assptica,
no-politizada, com o argumento da neutralidade do discurso cientfico. Tinha como meta abordar as relaes
do homem com a natureza de forma objetiva, buscando a formulao de leis gerais de interpretao.
Essa tendncia da Geografia e as correntes que dela se desdobraram foram chamadas de Geografia
Tradicional. Apesar de valorizar o papel do homem como sujeito histrico, propunha-se, na anlise da produo
do espao geogrfico, estudar a relao homem-natureza sem priorizar as relaes sociais. Por exemplo,
estudava-se a populao, mas no a sociedade; os estabelecimentos humanos, mas no as relaes
sociais; as tcnicas e os instrumentos de trabalho, mas no o processo de produo. Ou seja, no se discutiam
as relaes intrnsecas  sociedade, abstraindo assim o homem de seu carter social. Era baseada, de forma
significativa, em estudos empricos, articulada de forma fragmentada e com forte vis naturalizante.
No ensino, essa Geografia se traduziu, e muitas vezes ainda se traduz, pelo estudo descritivo das
paisagens naturais e humanizadas, de forma dissociada do espao vivido pela sociedade e das relaes
contraditrias de produo e organizao do espao. Os procedimentos didticos adotados promoviam
principalmente a descrio e a memorizao dos elementos que compem as paisagens sem, contudo, esperar
que os alunos estabelecessem relaes, analogias ou generalizaes. Pretendia-se ensinar uma Geografia
neutra. Essa perspectiva marcou tambm a produo dos livros didticos at meados da dcada de 70 e,
mesmo hoje em dia, muitos ainda apresentam em seu corpo idias, interpretaes ou at mesmo expectativas
de aprendizagem defendidas pela Geografia Tradicional.
No ps-guerra, a realidade tornou-se mais complexa: o desenvolvimento do capitalismo afastou-se
cada vez mais da fase concorrencial e penetrou na fase monopolista do grande capital; a urbanizao
acentuou-se e megalpoles comearam a se constituir; o espao agrrio sofreu as modificaes estruturais
comandadas pela Revoluo Verde, em funo da industrializao e da mecanizao das atividades agrcolas
em vrias partes do mundo; as realidades locais passaram a estar articuladas em uma rede de escala
mundial. Cada lugar deixou de explicar-se por si mesmo.
Os mtodos e as teorias da Geografia Tradicional tornaram-se insuficientes para apreender essa
complexidade e, principalmente, para explic-la. O levantamento feito por meio de estudos apenas empricos
tornou-se insuficiente. Era preciso realizar estudos voltados para a anlise das relaes mundiais, anlises
essas tambm de ordem econmica, social, poltica e ideolgica. Por outro lado, o meio tcnico e cientfico
passou a exercer forte influncia nas pesquisas realizadas no campo da Geografia. Para estudar o espao
geogrfico globalizado, comeou-se a recorrer s tecnologias aeroespaciais, tais como o sensoriamento
remoto, as fotos de satlite e o computador como articulador de massa de dados: surgem os SIG (Sistemas
Geogrficos de Informaes).
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A partir dos anos 60, sob influncia das teorias marxistas, surge uma tendncia crtica 
Geografia Tradicional, cujo centro de preocupaes passa a ser as relaes entre a sociedade, o
trabalho e a natureza na produo do espao geogrfico. Ou seja, os gegrafos procuraram estudar
a sociedade por meio das relaes de trabalho e da apropriao humana da natureza para produzir
e distribuir os bens necessrios s condies materiais que a garantem. Critica-se a Geografia
Tradicional, do Estado e das classes sociais dominantes, propondo-se uma Geografia das lutas
sociais. Num processo quase militante de importantes gegrafos brasileiros, difunde-se a Geografia
Marxista.
Essa nova perspectiva considera que no basta explicar o mundo,  preciso transform-lo.
Assim a Geografia ganha contedos polticos que so significativos na formao do cidado. As
transformaes tericas e metodolgicas dessa Geografia tiveram grande influncia na produo
cientfica das ltimas dcadas. Para o ensino, essa perspectiva trouxe uma nova forma de se
interpretar as categorias de espao geogrfico, territrio e paisagem, e influenciou, a partir dos
anos 80, uma srie de propostas curriculares voltadas para o segmento de quinta a oitava sries.
Essas propostas, no entanto, foram centradas em questes referentes a explicaes econmicas e
a relaes de trabalho que se mostraram, no geral, inadequadas para os alunos dessa etapa da
escolaridade, devido a sua complexidade. Alm disso, a prtica da maioria dos professores e de
muitos livros didticos conservaram a linha tradicional, descritiva e descontextualizada herdada
da Geografia Tradicional, mesmo quando o enfoque dos assuntos estudados era marcado pela
Geografia Marxista.
Tanto a Geografia Tradicional quanto a Geografia Marxista ortodoxa negligenciaram a
relao do homem e da sociedade com a natureza em sua dimenso sensvel de percepo do
mundo: o cientificismo positivista da Geografia Tradicional, por negar ao homem a possibilidade
de um conhecimento que passasse pela subjetividade do imaginrio; o marxismo ortodoxo, por
tachar de idealismo alienante qualquer explicao subjetiva e afetiva da relao da sociedade com
a natureza.
Uma das caractersticas fundamentais da produo acadmica da Geografia desta ltima
dcada  justamente a definio de abordagens que considerem as dimenses subjetivas e, portanto,
singulares que os homens em sociedade estabelecem com a natureza. Essas dimenses so
socialmente elaboradas  fruto das experincias individuais marcadas pela cultura na qual se
encontram inseridas  e resultam em diferentes percepes do espao geogrfico e sua construo.
, essencialmente, a busca de explicaes mais plurais, que promovam a interseo da Geografia
com outros campos do saber, como a Antropologia, a Sociologia, a Biologia, as Cincias Polticas,
por exemplo. Uma Geografia que no seja apenas centrada na descrio emprica das paisagens,
tampouco pautada exclusivamente na interpretao poltica e econmica do mundo; que trabalhe
tanto as relaes socioculturais da paisagem como os elementos fsicos e biolgicos que dela
fazem parte, investigando as mltiplas interaes entre eles estabelecidas na constituio de um
espao: o espao geogrfico.
As sucessivas mudanas e debates em torno do objeto e mtodo da Geografia como cincia,
presentes no meio acadmico, tiveram repercusses diversas no ensino fundamental. Positivas de
certa forma, j que foram um estmulo para a inovao e a produo de novos modelos didticos.
Mas tambm negativas, pois a rpida incorporao das mudanas produzidas pelo meio acadmico
provocou a produo de inmeras propostas didticas, descartadas a cada inovao conceitual e,
principalmente, sem que existissem aes concretas para que realmente atingissem o professor
em sala de aula, sobretudo o professor das sries iniciais que, sem apoio tcnico e terico, continuou
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e continua, de modo geral, a ensinar Geografia apoiando-se apenas na descrio dos fatos e ancorandose
quase que exclusivamente no livro didtico.
Mas no apenas a prtica do professor se encontra permeada por essa indefinio e confuso,
muitas propostas de ensino tambm o esto. Segundo a anlise feita pela Fundao Carlos Chagas,
observa-se, sobretudo nas propostas curriculares produzidas nas ltimas dcadas, que o ensino de
Geografia apresenta problemas tanto de ordem epistemolgica e de pressupostos tericos como
outros referentes  escolha dos contedos. No geral, so eles:
 abandono de contedos fundamentais da Geografia, tais como as
categorias de nao, territrio, lugar, paisagem e at mesmo de espao
geogrfico, bem como do estudo dos elementos fsicos e biolgicos que
se encontram a presentes;
 so comuns modismos que buscam sensibilizar os alunos para temticas
mais atuais, sem uma preocupao real de promover uma compreenso
dos mltiplos fatores que delas so causas ou decorrncias, o que provoca
um envelhecimento rpido dos contedos. Um exemplo  a adaptao
forada das questes ambientais em currculos e livros didticos que ainda
preservam um discurso da Geografia Tradicional e no tm como objetivo
uma compreenso processual e crtica dessas questes, vindo a se
transformar na aprendizagem de slogans;
 h uma preocupao maior com contedos conceituais do que com
contedos procedimentais. O objetivo do ensino fica restrito, assim, 
aprendizagem de fenmenos e conceitos, desconsiderando a aprendizagem
de procedimentos fundamentais para a compreenso dos mtodos
e explicaes com os quais a prpria Geografia trabalha;
 as propostas pedaggicas separam a Geografia humana da Geografia fsica
em relao quilo que deve ser apreendido como contedo especfico:
ou a abordagem  essencialmente social e a natureza  um apndice, um
recurso natural, ou ento se trabalha a gnese dos fenmenos naturais
de forma pura, analisando suas leis, em detrimento da possibilidade
exclusiva da Geografia de interpretar os fenmenos numa abordagem
socioambiental;
 a memorizao tem sido o exerccio fundamental praticado no ensino de
Geografia, mesmo nas abordagens mais avanadas. Apesar da proposta
de problematizao, de estudo do meio e da forte nfase que se d ao
papel dos sujeitos sociais na construo do territrio e do espao, o que
se avalia ao final de cada estudo  se o aluno memorizou ou no os
fenmenos e conceitos trabalhados e no aquilo que pde identificar e
compreender das mltiplas relaes a existentes;
 a noo de escala espao-temporal muitas vezes no  clara, ou seja, no
se explicita como os temas de mbito local esto presentes naqueles de
mbito universal e vice-versa, e como o espao geogrfico materializa
diferentes tempos (da sociedade e da natureza).
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O ensino de Geografia pode levar os alunos a compreenderem de forma mais ampla a realidade,
possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e propositiva. Para tanto, porm, 
preciso que eles adquiram conhecimentos, dominem categorias, conceitos e procedimentos bsicos
com os quais este campo do conhecimento opera e constitui suas teorias e explicaes, de modo a
poder no apenas compreender as relaes socioculturais e o funcionamento da natureza s quais
historicamente pertence, mas tambm conhecer e saber utilizar uma forma singular de pensar sobre
a realidade: o conhecimento geogrfico.
Conhecimento geogrfico:
caractersticas e importncia social
A Geografia estuda as relaes entre o processo histrico que regula a formao das sociedades
humanas e o funcionamento da natureza, por meio da leitura do espao geogrfico e da paisagem.
A diviso da Geografia em campos de conhecimento da sociedade e da natureza tem propiciado
um aprofundamento temtico de seus objetos de estudo. Essa diviso  necessria, como um recurso
didtico, para distinguir os elementos sociais ou naturais, mas  artificial, na medida em que o
objetivo da Geografia  explicar e compreender as relaes entre a sociedade e a natureza, e como
ocorre a apropriao desta por aquela. Na busca dessa abordagem relacional, a Geografia tem que
trabalhar com diferentes noes espaciais e temporais, bem como com os fenmenos sociais, culturais
e naturais que so caractersticos de cada paisagem, para permitir uma compreenso processual e
dinmica de sua constituio. Identificar e relacionar aquilo que na paisagem representa as heranas
das sucessivas relaes no tempo entre a sociedade e a natureza  um de seus objetivos.
Nesse sentido, a anlise da paisagem deve focar as dinmicas de suas transformaes e no a
descrio e o estudo de um mundo esttico. A compreenso dessas dinmicas requer movimentos
constantes entre os processos sociais e os fsicos e biolgicos, inseridos em contextos particulares
ou gerais. A preocupao bsica  abranger os modos de produzir, de existir e de perceber os
diferentes espaos geogrficos; como os fenmenos que constituem as paisagens se relacionam
com a vida que as anima. Para tanto,  preciso observar, buscar explicaes para aquilo que, numa
determinada paisagem, permaneceu ou foi transformado, isto , os elementos do passado e do
presente que nela convivem e podem ser compreendidos mediante a anlise do processo de produo/
organizao do espao.
O espao geogrfico  historicamente produzido pelo homem enquanto organiza econmica
e socialmente sua sociedade. A percepo espacial de cada indivduo ou sociedade  tambm marcada
por laos afetivos e referncias socioculturais. Nessa perspectiva, a historicidade enfoca o homem
como sujeito construtor do espao geogrfico, um homem social e cultural, situado para alm e
atravs da perspectiva econmica e poltica, que imprime seus valores no processo de construo
de seu espao.
Assim, o estudo de uma totalidade, isto , da paisagem como sntese de mltiplos espaos e
tempos deve considerar o espao topolgico  o espao vivido e o percebido  e o espao produzido
economicamente como algumas das noes de espao dentre as tantas que povoam o discurso da
Geografia.
Pensar sobre essas noes de espao pressupe considerar a compreenso subjetiva da
paisagem como lugar: a paisagem ganhando significados para aqueles que a vivem e a constroem.
As percepes que os indivduos, grupos ou sociedades tm do lugar nos quais se encontram e as
relaes singulares que com ele estabelecem fazem parte do processo de construo das
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representaes de imagens do mundo e do espao geogrfico. As percepes, as vivncias e a
memria dos indivduos e dos grupos sociais so, portanto, elementos importantes na constituio
do saber geogrfico.
No que se refere ao ensino fundamental,  importante considerar quais so as categorias da
Geografia mais adequadas para os alunos em relao  sua faixa etria, ao momento da escolaridade
em que se encontram e s capacidades que se espera que eles desenvolvam. Embora o espao
geogrfico deva ser o objeto central de estudo, as categorias paisagem, territrio e lugar devem
tambm ser abordadas, principalmente nos ciclos iniciais, quando se mostram mais acessveis aos
alunos, tendo em vista suas caractersticas cognitivas e afetivas.
O conceito de territrio foi originalmente formulado nos estudos biolgicos do final do sculo
XVIII. Nessa definio inicial, ele  a rea de vida de uma espcie, onde ela desempenha todas as
suas funes vitais ao longo do seu desenvolvimento. Portanto, para animais e plantas, o territrio
 o domnio que estes tm sobre pores da superfcie terrestre. Foi por meio dos estudos
comportamentais que Augusto Comte incorporou o conceito de territrio aos estudos geogrficos,
como categoria fundamental para as explicaes geogrficas. Na concepo ratzeliana de Geografia1
esse conceito define-se pela propriedade, ou seja, o territrio para as sociedades humanas
representa uma parcela do espao identificada pela posse.  dominado por uma comunidade ou
por um Estado. Na geopoltica, o territrio  o espao nacional ou rea controlada por um Estadonacional:
 um conceito poltico que serve como ponto de partida para explicar muitos fenmenos
geogrficos relacionados  organizao da sociedade e suas interaes com as paisagens. O territrio  uma
categoria importante quando se estuda a sua conceitualizao ligada  formao econmica e social
de uma nao. Nesse sentido,  o trabalho social que qualifica o espao, gerando o territrio.
Territrio no  apenas a configurao poltica de um Estado-Nao, mas sim o espao construdo
pela formao social.
Para estudar essa categoria  necessrio que os alunos compreendam que os limites territoriais
so variveis e dependem do fenmeno geogrfico considerado. Hoje, por exemplo, quando se
estudam os blocos econmicos, o que se entende por territrio vai muito alm do Estado-nacional.
Alm disso, compreender o que  territrio implica tambm compreender a complexidade da
convivncia em um mesmo espao, nem sempre harmnica, da diversidade de tendncias, idias,
crenas, sistemas de pensamento e tradies de diferentes povos e etnias.  reconhecer que,
apesar de uma convivncia comum, mltiplas identidades coexistem e por vezes se influenciam
reciprocamente, definindo e redefinindo aquilo que poderia ser chamado de uma identidade nacional.
No caso especfico do Brasil, o sentimento de pertinncia ao territrio nacional envolve a
compreenso da diversidade de culturas que aqui convivem e, mais do nunca, buscam o
reconhecimento de suas especificidades, daquilo que lhes  prprio.
A categoria territrio possui uma relao bastante estreita com a de paisagem. Pode at
mesmo ser considerada como o conjunto de paisagens contido pelos limites polticos e
administrativos de uma cidade, estado ou pas.  algo criado pelos homens,  uma instituio. A
categoria paisagem, porm, tem um carter especfico para a Geografia, distinto daquele utilizado
pelo senso comum ou por outros campos do conhecimento.  definida como sendo uma unidade
visvel, que possui uma identidade visual, caracterizada por fatores de ordem social, cultural e
natural, contendo espaos e tempos distintos; o passado e o presente. A paisagem  o velho no
novo e o novo no velho!
1. A Geografia ratzeliana valoriza o homem abrindo frentes de estudo referentes  histria e ao espao, tais como a formao do territrio,
as migraes e a colonizao. Seus estudos, no entanto, privilegiaram a viso das influncias naturais sobre a evoluo das sociedades;
portanto, a Geografia ratzeliana mantm uma viso naturalista da sociedade. O principal livro de Ratzel, publicado em 1882, denomina-se
AntropoGeografia  fundamentos da aplicao da Geografia  Histria.
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Assim, por exemplo, quando se fala da paisagem de uma cidade, dela fazem parte seu relevo,
a orientao dos rios e crregos da regio, sobre os quais se implantaram suas vias expressas, o
conjunto de construes humanas, a distribuio da populao que nela vive, o registro das tenses,
sucessos e fracassos da histria dos indivduos e grupos que nela se encontram.  nela que esto
expressas as marcas da histria de uma sociedade, fazendo, assim, da paisagem uma soma de tempos
desiguais, uma combinao de espaos geogrficos.
A categoria paisagem, por sua vez, est relacionada  categoria de lugar. Pertencer a um territrio
e sua paisagem significa fazer deles o seu lugar de vida e estabelecer uma identidade com eles.
Nesse contexto, a categoria lugar traduz os espaos com os quais as pessoas tm vnculos mais
afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praa, onde se brinca desde menino, a janela de
onde se v a rua, o alto de uma colina, de onde se avista a cidade. O lugar  onde esto as referncias
pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a
paisagem e o espao geogrfico.
Alm disso, espao geogrfico, paisagem, territrio e lugar, atualmente, esto associados 
fora da imagem, to explorada pela mdia. Pela imagem, a mdia traz  tona valores a serem
incorporados e posturas a serem adotadas. Retrata, por meio da paisagem, as contradies em que se
vive, confundindo no imaginrio aquela que  real e a que se deseja como ideal; toma para si a tarefa
de impor e inculcar um modelo de mundo, de reproduzir o cotidiano por meio da imagem massificante
repetida pelo bombardeamento publicitrio, sobrepondo-se s percepes e interpretaes subjetivas
e/ou singulares por outras padronizadas e pretensamente universais. A Geografia estaria, ento,
identificada como a cincia que busca decodificar as imagens presentes no cotidiano, impressas e
expressas nas paisagens e em suas representaes, numa reflexo direta e imediata sobre o espao
geogrfico e o lugar.
Nessa abrangncia, a Geografia contribui para que se compreenda como se estabelecem as
relaes locais com as universais, como o contexto mais prximo contm e est contido em um
contexto mais amplo e quais as possibilidades e implicaes que essas dimenses possuem.
No mundo atual, o meio tcnico-cientfico informacional adquiriu um papel fundamental e, em
meio ao processo de globalizao e massificao, o mundo convive com novos conflitos e tenses,
tais como o declnio dos estados-naes, a formao de blocos comerciais, as novas polticas
econmicas, a desterritorialidade e outros temas que recuperam a importncia do saber geogrfico.
H uma multiplicidade de questes que, para serem entendidas, necessitam de um conhecimento
geogrfico bem estruturado.
O estudo de Geografia possibilita, aos alunos, a compreenso de sua posio no conjunto das
relaes da sociedade com a natureza; como e por que suas aes, individuais ou coletivas, em
relao aos valores humanos ou  natureza, tm conseqncias  tanto para si como para a sociedade.
Permite tambm que adquiram conhecimentos para compreender as diferentes relaes que so
estabelecidas na construo do espao geogrfico no qual se encontram inseridos, tanto em nvel
local como mundial, e perceber a importncia de uma atitude de solidariedade e de comprometimento
com o destino das futuras geraes. Alm disso, seus objetos de estudo e mtodos possibilitam que
compreendam os avanos na tecnologia, nas cincias e nas artes como resultantes de trabalho e
experincia coletivos da humanidade, de erros e acertos nos mbitos da poltica e da cincia, por
vezes permeados de uma viso utilitarista e imediatista do uso da natureza e dos bens econmicos.
Desde as primeiras etapas da escolaridade, o ensino da Geografia pode e deve ter como objetivo
mostrar ao aluno que cidadania  tambm o sentimento de pertencer a uma realidade na qual as
relaes entre a sociedade e a natureza formam um todo integrado  constantemente em
transformao  do qual ele faz parte e, portanto, precisa conhecer e sentir-se como membro
participante, afetivamente ligado, responsvel e comprometido historicamente.
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APRENDER E ENSINAR GEOGRAFIA
NO ENSINO FUNDAMENTAL
Independentemente da perspectiva geogrfica, a maneira mais comum de se ensinar Geografia
tem sido pelo discurso do professor ou pelo livro didtico. Este discurso sempre parte de alguma
noo ou conceito chave e versa sobre algum fenmeno social, cultural ou natural que  descrito e
explicado, de forma descontextualizada do lugar ou do espao no qual se encontra inserido. Aps
a exposio, ou trabalho de leitura, o professor avalia, pelos exerccios de memorizao, se os
alunos aprenderam o contedo.
Abordagens atuais da Geografia tm buscado prticas pedaggicas que permitam apresentar
aos alunos os diferentes aspectos de um mesmo fenmeno em diferentes momentos da escolaridade,
de modo que os alunos possam construir compreenses novas e mais complexas a seu respeito.
Espera-se que, dessa forma, eles desenvolvam a capacidade de identificar e refletir sobre diferentes
aspectos da realidade, compreendendo a relao sociedade-natureza. Essas prticas envolvem procedimentos
de problematizao, observao, registro, descrio, documentao, representao e
pesquisa dos fenmenos sociais, culturais ou naturais que compem a paisagem e o espao
geogrfico, na busca e formulao de hipteses e explicaes das relaes, permanncias e transformaes
que a se encontram em interao.
Para tanto, o estudo da sociedade e da natureza2 deve ser realizado de forma conjunta. No
ensino, professores e alunos devero procurar entender que ambas  sociedade e natureza 
constituem a base material ou fsica sobre a qual o espao geogrfico  construdo.
 fundamental, assim, que o professor crie e planeje situaes nas quais os alunos possam
conhecer e utilizar esses procedimentos. A observao, descrio, experimentao, analogia e
sntese devem ser ensinadas para que os alunos possam aprender a explicar, compreender e at
mesmo representar os processos de construo do espao e dos diferentes tipos de paisagens e
territrios. Isso no significa que os procedimentos tenham um fim em si mesmos: observar,
descrever, experimentar e comparar servem para construir noes, espacializar os fenmenos,
levantar problemas e compreender as solues propostas, enfim, para conhecer e comear a operar
com os procedimentos e as explicaes que a Geografia como cincia produz.
A paisagem local, o espao vivido pelos alunos deve ser o objeto de estudo ao longo dos dois
primeiros ciclos. Entretanto, no se deve trabalhar do nvel local ao mundial hierarquicamente: o
espao vivido pode no ser o real imediato, pois so muitos e variados os lugares com os quais os
alunos tm contato e, sobretudo, que so capazes de pensar sobre. A compreenso de como a
realidade local relaciona-se com o contexto global  um trabalho que deve ser desenvolvido durante
toda a escolaridade, de modo cada vez mais abrangente, desde os ciclos iniciais.
Alm disso, o estudo da paisagem local no deve se restringir  mera constatao e descrio
dos fenmenos que a constituem. Deve-se tambm buscar as relaes entre a sociedade e a natureza
que a se encontram presentes, situando-as em diferentes escalas espaciais e temporais, comparandoas,
conferindo-lhes significados, compreendendo-as. Estudar a paisagem local ao longo dos primeiro
e segundo ciclos  aprender a observar e a reconhecer os fenmenos que a definem e suas caractersticas;
descrever, representar, comparar e construir explicaes, mesmo que aproximadas e
subjetivas, das relaes que a se encontram impressas e expressas.
2. O conceito de natureza deve ser compreendido tanto como o de primeira natureza  os elementos biofsicos de uma paisagem 
como o de segunda natureza  a natureza transformada pelo trabalho humano.
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Nos ciclos subseqentes, o ensino de Geografia deve intensificar ainda mais a compreenso,
por parte dos alunos, dos processos envolvidos na construo do espao geogrfico. A territorialidade
e a temporalidade dos fenmenos estudados devem ser abordadas de forma mais aprofundada, pois
os alunos j podem construir compreenses e explicaes mais complexas sobre as relaes que
existem entre aquilo que acontece no dia-a-dia, no lugar no qual se encontram inseridos, e o que
acontece em outros lugares do mundo. Os problemas socioambientais e econmicos  como a
degradao dos ecossistemas, o crescimento das disparidades na distribuio da riqueza entre pases
e grupos sociais, por exemplo  podem ser abordados a fim de promover um estudo mais amplo de
questes sociais, econmicas, polticas e ambientais relevantes na atualidade. O prprio processo
de globalizao pelo qual o mundo de hoje passa demanda uma compreenso maior das relaes de
interdependncia que existem entre os lugares, bem como das noes de espacialidade e
territorialidade intrnsecas a esse processo.
Tal abordagem visa favorecer tambm a compreenso, por parte do aluno, de que ele prprio
 parte integrante do ambiente e tambm agente ativo e passivo das transformaes das paisagens
terrestres. Contribui para a formao de uma conscincia conservacionista e ambiental, na qual se
pensa sobre o ambiente no somente em seus aspectos naturais, mas tambm culturais, econmicos
e polticos.
Para tanto, as noes de sociedade, cultura, trabalho e natureza so fundamentais e podem
ser abordadas por meio de temas nos quais as dinmicas e determinaes existentes entre a sociedade
e a natureza sejam estudadas de forma conjunta. Porm, para alm de uma abordagem descritiva
da manifestao das foras materiais,  possvel tambm nos terceiro e quarto ciclos propor estudos
que envolvam o simblico e as representaes subjetivas, pois a fora do imaginrio social participa
significativamente na construo do espao geogrfico e da paisagem.
A Geografia, ao pretender o estudo dos lugares, suas paisagens e territrio, tem buscado um
trabalho interdisciplinar, lanando mo de outras fontes de informao. Mesmo na escola, a relao
da Geografia com a Literatura, por exemplo, tem sido redescoberta, proporcionando um trabalho
que provoca interesse e curiosidade sobre a leitura do espao e da paisagem.  possvel aprender
Geografia desde os primeiros ciclos do ensino fundamental pela leitura de autores brasileiros consagrados
 Jorge Amado, rico Verssimo, Graciliano Ramos, Guimares Rosa, entre outros 
cujas obras retratam diferentes paisagens do Brasil, em seus aspectos sociais, culturais e naturais.
Tambm as produes musicais, a fotografia e at mesmo o cinema so fontes que podem ser
utilizadas por professores e alunos para obter informaes, comparar, perguntar e inspirar-se para
interpretar as paisagens e construir conhecimentos sobre o espao geogrfico.
A Geografia trabalha com imagens, recorre a diferentes linguagens na busca de informaes
e como forma de expressar suas interpretaes, hipteses e conceitos. Pede uma cartografia
conceitual, apoiada numa fuso de mltiplos tempos e numa linguagem especfica, que faa da
localizao e da espacializao uma referncia da leitura das paisagens e seus movimentos.
Na escola, assim, fotos comuns, fotos areas, filmes, gravuras e vdeos tambm podem ser
utilizados como fontes de informao e de leitura do espao e da paisagem.  preciso que o professor
analise as imagens na sua totalidade e procure contextualiz-las em seu processo de produo: por
quem foram feitas, quando, com que finalidade, etc., e tomar esses dados como referncia na
leitura de informaes mais particularizadas, ensinando aos alunos que as imagens so produtos do
trabalho humano, localizveis no tempo e no espao, cujas intencionalidades podem ser encontradas
de forma explcita ou implcita.
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O estudo da linguagem cartogrfica, por sua vez, tem cada vez mais reafirmado sua importncia,
desde o incio da escolaridade. Contribui no apenas para que os alunos venham a compreender e
utilizar uma ferramenta bsica da Geografia, os mapas, como tambm para desenvolver capacidades
relativas  representao do espao.
A cartografia  um conhecimento que vem se desenvolvendo desde a pr-histria at os dias
de hoje. Por intermdio dessa linguagem  possvel sintetizar informaes, expressar conhecimentos,
estudar situaes, entre outras coisas  sempre envolvendo a idia da produo do espao: sua
organizao e distribuio.
As formas mais usuais de se trabalhar com a linguagem cartogrfica na escola  por meio de
situaes nas quais os alunos tm de colorir mapas, copi-los, escrever os nomes de rios ou cidades,
memorizar as informaes neles representadas. Mas esse tratamento no garante que eles construam
os conhecimentos necessrios, tanto para ler mapas como para representar o espao geogrfico.
Para isso,  preciso partir da idia de que a linguagem cartogrfica  um sistema de smbolos que
envolve proporcionalidade, uso de signos ordenados e tcnicas de projeo. Tambm  uma forma
de atender a diversas necessidades, das mais cotidianas (chegar a um lugar que no se conhece,
entender o trajeto dos mananciais, por exemplo) s mais especficas (como delimitar reas de plantio,
compreender zonas de influncia do clima). A escola deve criar oportunidades para que os
alunos construam conhecimentos sobre essa linguagem nos dois sentidos: como pessoas que
representam e codificam o espao e como leitores das informaes expressas por ela.
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OBJETIVOS GERAIS DE GEOGRAFIA
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
Espera-se que, ao longo dos oito anos do ensino fundamental, os alunos construam um
conjunto de conhecimentos referentes a conceitos, procedimentos e atitudes relacionados 
Geografia, que lhes permitam ser capazes de:
 conhecer a organizao do espao geogrfico e o funcionamento da
natureza em suas mltiplas relaes, de modo a compreender o papel
das sociedades em sua construo e na produo do territrio, da
paisagem e do lugar;
 identificar e avaliar as aes dos homens em sociedade e suas conseqncias
em diferentes espaos e tempos, de modo a construir referenciais
que possibilitem uma participao propositiva e reativa nas questes
socioambientais locais;
 compreender a espacialidade e temporalidade dos fenmenos geogrficos
estudados em suas dinmicas e interaes;
 compreender que as melhorias nas condies de vida, os direitos
polticos, os avanos tcnicos e tecnolgicos e as transformaes
socioculturais so conquistas decorrentes de conflitos e acordos, que
ainda no so usufrudas por todos os seres humanos e, dentro de suas
possibilidades, empenhar-se em democratiz-las;
 conhecer e saber utilizar procedimentos de pesquisa da Geografia para
compreender o espao, a paisagem, o territrio e o lugar, seus processos de
construo, identificando suas relaes, problemas e contradies;
 fazer leituras de imagens, de dados e de documentos de diferentes fontes
de informao, de modo a interpretar, analisar e relacionar informaes
sobre o espao geogrfico e as diferentes paisagens;
 saber utilizar a linguagem cartogrfica para obter informaes e
representar a espacialidade dos fenmenos geogrficos;
 valorizar o patrimnio sociocultural e respeitar a sociodiversidade,
reconhecendo-a como um direito dos povos e indivduos e um elemento
de fortalecimento da democracia.
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CRITRIOS DE SELEO E ORGANIZAO
DOS CONTEDOS DE GEOGRAFIA
Adquirir conhecimentos bsicos de Geografia  algo importante para a vida em sociedade,
em particular para o desempenho das funes de cidadania: cada cidado, ao conhecer as
caractersticas sociais, culturais e naturais do lugar onde vive, bem como as de outros lugares, pode
comparar, explicar, compreender e espacializar as mltiplas relaes que diferentes sociedades em
pocas variadas estabeleceram e estabelecem com a natureza na construo de seu espao
geogrfico. A aquisio desses conhecimentos permite uma maior conscincia dos limites e responsabilidades
da ao individual e coletiva com relao ao seu lugar e a contextos mais amplos, de
escala nacional e mundial. Para tanto, a seleo de contedos de Geografia para o ensino fundamental
deve contemplar temticas de relevncia social, cuja compreenso, por parte dos alunos, se mostra
essencial para sua formao como cidado.
Pelo estudo da Geografia os alunos podem desenvolver hbitos e construir valores importantes
para a vida em sociedade. Os contedos selecionados devem permitir o pleno desenvolvimento
do papel de cada um na construo de uma identidade com o lugar onde vive e, em sentido mais
abrangente, com a nao brasileira, valorizando os aspectos socioambientais que caracterizam seu
patrimnio cultural e ambiental. Devem permitir tambm o desenvolvimento da conscincia de
que o territrio nacional  constitudo por mltiplas e variadas culturas, que definem grupos sociais,
povos e etnias distintos em suas percepes e relaes com o espao, e de atitudes de respeito s
diferenas socioculturais que marcam a sociedade brasileira.
Outro critrio importante na seleo de contedos refere-se s categorias de anlise da prpria
Geografia. Procurou-se delinear um trabalho a partir de algumas categorias consideradas essenciais:
espao geogrfico, paisagem, territrio e lugar sintetizam aspectos da organizao espacial e
possibilitam a interpretao dos fenmenos que a constituem em mltiplos espaos e tempos. A
partir delas, pode-se identificar a singularidade do saber geogrfico, ou seja, a realidade como uma
totalidade de processos sociais e naturais numa dimenso histrica e cultural. Os contedos a serem
estudados devem promover a compreenso, por parte dos alunos, de como as diferentes sociedades
estabeleceram relaes sociais, polticas e culturais que resultaram numa apropriao histrica da
natureza pela sociedade, por meio das diferentes formas de organizao do trabalho, de perceber e
sentir a natureza, de nela intervir e transform-la.
Foram considerados tambm critrios que atendem ao desenvolvimento das capacidades
cognitivas dos alunos relativas s noes de espao e de tempo, seu uso em mltiplas situaes
cotidianas e de pesquisa. A Geografia trabalha com a espacialidade dos fenmenos em sua
temporalidade, porm  importante estudar a extenso de uma paisagem e o papel histrico de sua
posio geogrfica, no apenas sua localizao. Tais noes  espacialidade e temporalidade ,
passveis de serem ampliadas a partir do conhecimento geogrfico, podem ser trabalhadas mediante
interface com outras reas, tais como a Matemtica, a Arte e a Educao Fsica, entre outras.
Questes relativas aos procedimentos de pesquisa da Geografia tambm foram consideradas
na seleo e organizao de contedos. Para que os alunos possam ler e interpretar as informaes
que recebem e compreend-las do ponto de vista geogrfico  preciso que construam procedimentos
de anlise com os quais o prprio saber geogrfico opera. A observao, a descrio, o registro e a
documentao, a representao, a analogia, a explicao e a sntese so procedimentos que devem
ser trabalhados ao longo de toda a escolaridade, essenciais na construo do instrumental necessrio
para uma compreenso de como a Geografia trabalha e se constitui como um campo de conhecimento.
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GEOGRAFIA GEOGRAFIA
2 PARTE
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PRIMEIRO CICLO
Ensino e aprendizagem de
Geografia no primeiro ciclo
No primeiro ciclo, o estudo da Geografia deve abordar principalmente questes relativas 
presena e ao papel da natureza e sua relao com a ao dos indivduos, dos grupos sociais e, de
forma geral, da sociedade na construo do espao geogrfico. Para tanto, a paisagem local e o
espao vivido so as referncias para o professor organizar seu trabalho.
O estudo das manifestaes da natureza em suas mltiplas formas, presentes na paisagem
local,  ponto de partida para uma compreenso mais ampla das relaes entre sociedade e natureza.
 possvel analisar as transformaes que esta sofre por causa de atividades econmicas, hbitos
culturais ou questes polticas, expressas de diferentes maneiras no prprio meio em que os alunos
esto inseridos. Por exemplo, por meio da arquitetura, da distribuio da populao, dos hbitos
alimentares, da diviso e constituio do trabalho, das formas de lazer e inclusive por suas prprias
caractersticas biofsicas pode-se observar a presena da natureza e sua relao com a vida dos
homens em sociedade. Do mesmo modo,  possvel tambm compreender por que a natureza
favorece o desenvolvimento de determinadas atividades e no de outras e, assim, conhecer as
influncias que uma exerce sobre outra, reciprocamente.
Quando se estuda a paisagem local, deve-se procurar estabelecer relaes com outras
paisagens e lugares distantes no tempo ou no espao, para que elementos de comparao possam
ser utilizados na busca de semelhanas e diferenas, permanncias e transformaes, explicaes
para os fenmenos que a se encontram presentes. Inicia-se, assim, um processo de compreenso
mais ampla das noes de posio, stio, fronteira e extenso, que caracterizam a paisagem local e
as paisagens de forma geral.
 fundamental tambm que o professor conhea quais so as idias e os conhecimentos que
seus alunos tm sobre o lugar em que vivem, sobre outros lugares e a relao entre eles. Afinal,
mesmo que ainda no tenham tido contato com o conhecimento geogrfico de forma organizada,
os alunos so portadores de muitas informaes e idias sobre o meio em que esto inseridos e
sobre o mundo, tm acesso ao conhecimento produzido por seus familiares e pessoas prximas e,
muitas vezes, s informaes veiculadas pelos meios de comunicao.
Esses conhecimentos devem ser investigados para que o professor possa criar intervenes
significativas que provoquem avanos nas concepes dos alunos. O principal cuidado  ir alm
daquilo que j sabem, evitando estudos restritos s idias e temas que j dominam e pouco promovem
a ampliao de seus conhecimentos e hipteses acerca da presena e do papel da natureza na
paisagem local.
Desde o primeiro ciclo  importante que os alunos conheam alguns procedimentos que
fazem parte dos mtodos de operar da Geografia. Observar, descrever, representar e construir
explicaes so procedimentos que podem aprender a utilizar, mesmo que ainda o faam com
pouca autonomia, necessitando da presena e orientao do professor. Por exemplo, em relao 
observao, o professor pode lev-los a compreender que no se trata apenas de olhar um pouco
mais detidamente, mas sim de olhar intencionalmente, em busca de respostas, nem sempre visveis
de imediato, disparadas pelo assunto ou problema em estudo. A descrio, por sua vez, no deve
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ser apenas uma listagem aleatria do que se observa, mas sim a seleo das informaes que
sugerem certas explicaes e possuem relao com as hipteses daquele que observa e descreve.
Vale lembrar que esse ciclo , na maioria das vezes, o momento de ingresso da criana na
escola. Ensinar os alunos a ler uma imagem, a observar uma paisagem ou ainda a ler um texto 
mesmo que a leitura no seja realizada diretamente por eles  para pesquisar e obter informaes
faz parte do trabalho do professor desse ciclo. Do mesmo modo, cabe a ele estimular e intermediar
discusses entre os prprios alunos, para que possam aprender a compartilhar seus conhecimentos,
elaborar perguntas, confrontar suas opinies, ouvir seus semelhantes e se posicionar diante do
grupo.
Assim, mesmo os alunos estando em processo de alfabetizao3 , fontes escritas devem estar
presentes nos estudos realizados, da mesma forma que o conhecimento construdo expresso por
meio de textos. Propor que os alunos registrem por escrito, individual ou coletivamente, aquilo
que observaram ou aprenderam  uma maneira de aproxim-los de procedimentos essenciais 
ler e escrever  no apenas para o campo da Geografia, mas tambm para o desenvolvimento de
procedimentos importantes na vida de todo estudante.
A imagem como representao tambm pode estar presente. Desenhar  uma maneira de se
expressar caracterstica desse segmento da escolaridade e um procedimento de registro utilizado
pela prpria Geografia. Alm disso,  uma forma interessante de propor que os alunos comecem a
utilizar mais objetivamente as noes de proporo, distncia e direo, fundamentais para a
compreenso e uso da linguagem cartogrfica.
O trabalho com a construo da linguagem cartogrfica, por sua vez, deve ser realizado
considerando os referenciais que os alunos j utilizam para se localizar e orientar no espao. A
partir de situaes nas quais compartilhem e explicitem seus conhecimentos, o professor pode
criar outras nas quais possam esquematizar e ampliar suas idias de distncia, direo e orientao.
O incio do processo de construo da linguagem cartogrfica acontece mediante o trabalho
com a produo e a leitura de mapas simples, em situaes significativas de aprendizagem nas quais
os alunos tenham questes a resolver, seja para comunicar, seja para obter e interpretar informaes.
E como na construo de outras linguagens mesmo inicialmente no se deve descaracteriz-la nem
na produo, nem na leitura.  importante, assim, que o professor desse ciclo trabalhe com diferentes
tipos de mapas, atlas, globo terrestre, plantas e maquetes  de boa qualidade e atualizados ,
mediante situaes nas quais os alunos possam interagir com eles e fazer um uso cada vez mais
preciso e adequado deles.
O estudo do meio, o trabalho com imagens e a representao dos lugares so recursos didticos
interessantes pelos quais os alunos podero construir e reconstruir, de maneira cada vez mais
ampla e estruturada, as imagens e as percepes que tm da paisagem local, conscientizando-se
de seus vnculos afetivos e de identidade com o lugar no qual se encontram inseridos.
Alm disso, a interface com a Histria  essencial. A Geografia pode trabalhar com recortes
temporais e espaciais distintos dos da Histria, embora no possa construir interpretaes de uma
paisagem sem buscar sua historicidade. Uma abordagem que pretende ler a paisagem local,
estabelecer comparaes, interpretar as mltiplas relaes entre a sociedade e a natureza de um
determinado lugar, pressupe uma inter-relao entre essas disciplinas, tanto nas problematizaes
quanto nos contedos e procedimentos. Com a rea de Cincias tambm h uma afinidade peculiar
nos contedos desse ciclo, uma vez que o funcionamento da natureza e suas determinaes na
3. Ver concepo de alfabetizao definida no documento de Lngua Portuguesa.
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vida dos homens devem ser estudados. Sem perder de vista as especificidades de cada uma das
reas, o professor pode aproveitar o que h em comum para tratar um mesmo assunto sob vrios
ngulos.
Objetivos de Geografia para o primeiro ciclo
Espera-se que ao final do primeiro ciclo os alunos sejam capazes de:
 reconhecer, na paisagem local e no lugar em que se encontram inseridos,
as diferentes manifestaes da natureza e a apropriao e transformao
dela pela ao de sua coletividade, de seu grupo social;
 conhecer e comparar a presena da natureza, expressa na paisagem local,
com as manifestaes da natureza presentes em outras paisagens;
 reconhecer semelhanas e diferenas nos modos que diferentes grupos
sociais se apropriam da natureza e a transformam, identificando suas
determinaes nas relaes de trabalho, nos hbitos cotidianos, nas
formas de se expressar e no lazer;
 conhecer e comear a utilizar fontes de informao escritas e imagticas
utilizando, para tanto, alguns procedimentos bsicos;
 saber utilizar a observao e a descrio na leitura direta ou indireta da
paisagem, sobretudo por meio de ilustraes e da linguagem oral;
 reconhecer, no seu cotidiano, os referenciais espaciais de localizao,
orientao e distncia de modo a deslocar-se com autonomia e representar
os lugares onde vivem e se relacionam;
 reconhecer a importncia de uma atitude responsvel de cuidado com o
meio em que vivem, evitando o desperdcio e percebendo os cuidados
que se deve ter na preservao e na manuteno da natureza.
Blocos temticos e contedos:
o estudo da paisagem local
So muitos e variados os temas que podem ser pesquisados a partir do estudo da paisagem
local. Embora cada unidade escolar e cada professor possa propor os seus, a depender das
necessidades e problemticas que julgarem importantes de serem abordadas, aqueles selecionados
devem tratar da presena e do papel da natureza e sua relao com a vida das pessoas  seja em
sociedade, coletiva ou individualmente  na construo do espao geogrfico.
Seguem sugestes de blocos temticos que podem ser estudados com os alunos, apresentados
de modo amplo, pois se configuram como sugestes e no devem ser compreendidos como uma
seqncia de assuntos a serem aprendidos ou ainda como blocos isolados que no se comunicam
entre si. O professor pode, por exemplo, trabalhar com um ou mais blocos ao mesmo tempo, reunidos
no estudo da paisagem local.
90
TUDO  NATUREZA
A principal noo a ser trabalhada por este tema  a presena da natureza em tudo que est
visvel ou no na paisagem local. Por meio da observao e descrio, os alunos podem reconhecer
essa presena em seus hbitos cotidianos, na configurao e localizao de seu bairro e de sua
cidade ou ainda nas atividades econmicas, sociais e culturais com as quais tm contato direto ou
indireto. Essa percepo pode ser ampliada mediante a comparao com a presena da natureza
em outros bairros, em diferentes regies do Brasil e em outros lugares do mundo. A viso global de
natureza expressa na paisagem local pode ser realizada por meio dos hbitos de consumo,
pesquisando os produtos que participam da vida cotidiana, como so feitos e qual a origem dos
recursos naturais que esto envolvidos em sua produo.  possvel, ainda, aproximar os alunos do
papel do trabalho na transformao da natureza, investigando como pessoas de diferentes espaos
e tempos utilizam tcnicas e instrumentos distintos de trabalho na apropriao e transformao dos
elementos naturais disponveis na paisagem local. Entretanto, a dimenso utilitria da natureza
como recurso natural pode ser ultrapassada ao se abordarem tambm suas caractersticas biofsicas
e as relaes afetivas e singulares que as pessoas estabelecem com ela e manifestam por meio das
artes e das formas de lazer, por exemplo.
CONSERVANDO O AMBIENTE
Este tema proporciona a compreenso das diferentes relaes que indivduos, grupos sociais
e sociedades estabelecem com a natureza no dia-a-dia. Por meio de problematizaes de situaes
vividas no lugar no qual os alunos se encontram inseridos  seja ele o bairro, a cidade ou o pas 
pode-se discutir o comportamento social e suas relaes com a natureza. Devem ser estudados o
modo de produzir e fazer do cotidiano, as tecnologias e as possibilidades de novas formas de se
relacionar com a natureza, como as atitudes conservacionistas em relao ao lixo, saneamento
bsico, abastecimento de gua, produo e conservao de alimentos, por exemplo.  possvel
ainda introduzir os modos de produzir considerados alternativos, como a produo de energia solar
e as tcnicas agrcolas alternativas. Pode-se tambm abordar a categoria territrio ao se tratar da
questo ambiental como poltica de conservao e apresentar aos alunos o conceito de reas
Protegidas e Unidades de Conservao4 por meio da pesquisa sobre suas tipologias e seus objetivos,
identificando como elas esto prximas ou distantes de seu cotidiano e quais as suas implicaes
na vida das pessoas.
TRANSFORMANDO A NATUREZA:
DIFERENTES PAISAGENS
Este tema proporciona um estudo sobre os motivos, as tcnicas e as conseqncias da
transformao e do uso da natureza. Pode-se integr-lo ao estudo da Histria no que se refere s
relaes sociais, culturais e econmicas. Por meio da leitura de imagens, pode-se conhecer a trajetria
da constituio da paisagem local e compar-la com a trajetria de diferentes paisagens e
lugares, enfocando as mltiplas relaes e determinaes dos homens em sociedade com a natureza
nessa trajetria. Este tema evoca tambm pesquisas sobre como diferentes grupos sociais  ndios,
negros, imigrantes, caiaras, dentre os muitos que fazem parte da sociedade brasileira 
relacionaram-se ao longo de suas trajetrias com a natureza na construo do lugar e da paisagem
onde vivem, podendo-se inclusive eleger como objeto de estudo grupos sociais inseridos em paisagens
distintas daquelas caractersticas do Brasil.
4. Ver definio apresentada no documento de Meio Ambiente.
91
O LUGAR E A PAISAGEM
Este tema trata das relaes mais individualizadas dos alunos com o lugar em que vivem.
Quais foram as razes que os fizeram morar ali (vnculos familiares, proximidade do trabalho,
condies econmicas, entre outras) e quais so as condies do lugar em que vivem (moradia,
asfalto, saneamento bsico, postos de sade, escolas, lugares de lazer, tratamento do lixo). Pode-se
aprofundar a compreenso desses aspectos a partir da forma como percebem a paisagem local em
que vivem e procurar estabelecer relaes entre o modo como cada um v seu lugar e como cada
lugar compe a paisagem. Outro ponto a ser discutido so as normas dos lugares: como  que se
deve agir na rua, na escola, na casa; como essas regras so expressas de forma implcita ou explcita
nas relaes sociais e na prpria paisagem local; como as crianas percebem e lidam com as regras
dos diferentes lugares.  importante discutir tentando encontrar as razes pelas quais elas so
estabelecidas dessa forma e no de outra, sua utilidade, legitimidade e como alteram e determinam
a configurao dos lugares.
Esses blocos temticos contemplam contedos de diferentes dimenses: conceituais,
procedimentais e atitudinais que, segundo esta proposta de ensino, so considerados como
fundamentais para atingir as capacidades definidas para esse segmento da escolaridade. A seguir,
so apresentados em forma de lista, de modo a destacar suas dimenses e as principais relaes que
existem entre eles:
 observao e descrio de diferentes formas pelas quais a natureza se
apresenta na paisagem local: nas construes e moradias, na distribuio
da populao, na organizao dos bairros, nos modos de vida, nas formas
de lazer, nas artes plsticas;
 identificao de motivos e tcnicas pelos quais sua coletividade e a
sociedade de forma geral transforma a natureza: por meio do trabalho,
da tecnologia, da cultura e da poltica, no passado e no presente;
 caracterizao da paisagem local: suas origens e organizao, as
manifestaes da natureza em seus aspectos biofsicos, as transformaes
sofridas ao longo do tempo;
 conhecimento das relaes entre as pessoas e o lugar: as condies de
vida, as histrias, as relaes afetivas e de identidade com o lugar onde
vivem;
 identificao da situao ambiental da sua localidade: proteo e
preservao do ambiente e sua relao com a qualidade de vida e sade;
 produo de mapas ou roteiros simples considerando caractersticas da
linguagem cartogrfica como as relaes de distncia e direo e o
sistema de cores e legendas;
 leitura inicial de mapas polticos, atlas e globo terrestre;
 valorizao de formas no-predatrias de explorao, transformao e
uso dos recursos naturais;
92
 organizao, com auxlio do professor, de suas pesquisas e das conquistas
de seus conhecimentos em obras individuais ou coletivas: textos,
exposies, desenhos, dramatizaes, entre outras.
Critrios de avaliao de Geografia
para o primeiro ciclo
Ao final do primeiro ciclo, os alunos devem ter avaliadas suas conquistas numa perspectiva de
continuidade aos seus estudos. A avaliao deve ser planejada, assim, relativamente aos
conhecimentos que sero recontextualizados e utilizados em estudos posteriores. Para isso  necessrio
estabelecer alguns critrios. De modo amplo, so eles:
 Reconhecer algumas das manifestaes da relao entre sociedade e natureza
presentes na sua vida cotidiana e na paisagem local
Com este critrio avalia-se o quanto o aluno se apropriou da idia de interdependncia entre
a sociedade e a natureza e se reconhece aspectos dessa relao na paisagem local e no lugar em
que se encontra inserido. Tambm deve-se avaliar se conhece alguns dos processos de transformao
da natureza em seu contexto mais imediato.
 Reconhecer e localizar as caractersticas da paisagem local e compar-las com as
de outras paisagens
Com este critrio avalia-se se o aluno  capaz de distinguir, por meio da observao e da
descrio, alguns aspectos naturais e culturais da paisagem, percebendo nela elementos que
expressam a multiplicidade de tempos e espaos que a compe. Se  capaz tambm de
comparar algumas das diferenas e semelhanas existentes entre diferentes paisagens.
 Ler, interpretar e representar o espao por meio de mapas simples
Com este critrio avalia-se se o aluno sabe utilizar elementos da linguagem cartogrfica
como um sistema de representao que possui convenes e funes especficas, tais como cor,
smbolos, relaes de direo e orientao, funo de representar o espao e suas caractersticas,
delimitar as relaes de vizinhana.
93
SEGUNDO CICLO
Ensino e aprendizagem de
Geografia no segundo ciclo
No segundo ciclo, o estudo da Geografia deve abordar principalmente as diferentes relaes
entre as cidades e o campo em suas dimenses sociais, culturais e ambientais e considerando o
papel do trabalho, das tecnologias, da informao, da comunicao e do transporte. O objetivo
central  que os alunos construam conhecimentos a respeito das categorias de paisagem urbana e
paisagem rural, como foram constitudas ao longo do tempo e ainda o so, e como sintetizam mltiplos
espaos geogrficos.
A paisagem local pode conter elementos fundamentais para os alunos observarem, compararem
e compreenderem essas relaes.  possvel, a partir de um estudo nessa escala, perceber como as
paisagens urbanas e rurais foram se configurando e esto profundamente interligadas. Entretanto,
outras escalas podem ser abordadas e analisadas, j no apenas como fator de comparao  tal
como foi proposto para o primeiro ciclo  mas sim como contedos a serem aprendidos. Diferentes
paisagens regionais devem ser apresentadas e trabalhadas com os alunos, de modo que venham a
construir uma noo mais ampla sobre o territrio brasileiro, suas paisagens, regies e, de modo
geral, sobre as determinaes poltico-administrativas que o caracterizam.
 importante ressaltar que o urbano e o rural so tradicionalmente trabalhados na escola.
Entretanto, costuma-se estudar apenas suas caractersticas de forma descritiva e isolada, sem
aprofundar temticas que explicitem as relaes de interdependncia e de determinao que existem
entre eles e enfocando-se quase que exclusivamente seus aspectos econmicos.
Atualmente, o urbano e o rural so compreendidos para alm de seus aspectos econmicos
ou da descrio compartimentada dos fenmenos sociais e naturais que os caracterizam. As mltiplas
dinmicas existentes entre as cidades e o campo; as semelhanas e diferenas entre os modos de
vida que a se constituem; as formas de trabalho e a produo e percepo do espao e da paisagem;
os relgios naturais e mecnicos que controlam a vida nas cidades e no campo e impem ritmos de
vida diferentes tornaram-se temas de investigao da prpria Geografia e, na escola, se mostram
interessantes e pertinentes de serem trabalhados, inclusive ao longo do segundo ciclo.
A configurao territorial igualmente pode ser tratada, pois as relaes entre as paisagens
urbanas e rurais esto permeadas por decises poltico-administrativas promovidas no apenas por
instncias regionais, mas sobretudo federais, explicitando-se a predominncia do urbano sobre o
rural. Questes relativas  posio, localizao, fronteira e extenso das paisagens so, assim,
retomadas, o que garante a possibilidade de os alunos ampliarem as noes e conhecimentos que
haviam anteriormente construdo a respeito.
O estudo das tecnologias permite compreender como as sociedades, em diferentes momentos
de sua histria, buscaram superar seus problemas cotidianos, de sobrevivncia, transformando a
natureza, criando novas formas de organizao social, poltica e econmica e construindo paisagens
urbanas e rurais. As possibilidades advindas do desenvolvimento tecnolgico e do aprimoramento
tcnico para o processo de urbanizao, agrarizao e industrializao e as transformaes ocorridas
no prprio conceito de trabalho devem ser apresentadas aos alunos desse ciclo. Assim, o conceito
de trabalho pode ser construdo por eles mediante compreenses mais amplas do que aquela
comumente presente nessa etapa da escolaridade: a do trabalho apenas como profisso.
94
Nesse sentido,  importante promover tambm situaes nas quais os alunos percebam e
compreendam a tecnologia em seu prprio cotidiano, pela observao e comparao da presena
dela em seu meio familiar e em seu dia-a-dia de forma geral. Os instrumentos, os modos de fazer,
as tecnologias que os alunos conhecem e/ou dominam podem gerar temas de estudo, e at mesmo
as vivncias diretas ou indiretas que possuem com o mundo do trabalho compartilhadas a fim de
ampliar seus conhecimentos sobre o seu papel na estruturao do espao, do tempo e da sociedade
na qual se encontram inseridos.
Nas escalas regional e nacional,  possvel ainda estudar como diferentes grupos sociais se
valeram de tecnologias singulares na construo e definio de seu espao: como grupos indgenas,
caiaras, ribeirinhos, imigrantes japoneses  entre outros  construram, no passado, tcnicas
singulares e as utilizaram como instrumentos de trabalho na estruturao de seu espao geogrfico;
e, no presente, como se encontram esses mesmos grupos diante do avano tecnolgico, como
incorporam outras tcnicas em seu dia-a-dia de trabalho e de lazer.
O estudo da informao, da comunicao e do transporte, por sua vez, ao superar uma
abordagem descritiva de seus meios  televiso, rdio, automvel, trem, etc.  permite uma
compreenso dos processos, intenes e conseqncias das relaes entre os lugares, em escala
regional, nacional e at mesmo mundial. Quando abordado por meio da escala local e do territrio,
permite aproximar os alunos das dinmicas existentes entre as paisagens urbanas e rurais. A
preocupao fundamental  que os alunos construam as primeiras noes sobre o papel da informao,
da comunicao e dos transportes na constituio dessas paisagens e nas mltiplas relaes
que existem entre o local, o regional e o mundial.
No segundo ciclo, as possibilidades de aprendizagem dos alunos ampliam-se em vrios
aspectos. A maior autonomia em relao  leitura e  escrita e o domnio crescente dos
procedimentos de observao, descrio, explicao e representao permitem que eles sejam
capazes de consultar e processar fontes de informao com maior independncia e construam
compreenses mais complexas, realizando analogias e snteses mais elaboradas, expressas por meio
de trabalhos mais completos, escritos ou apoiados em mltiplas linguagens  como ilustrao,
mapas, maquetes, seminrios, por exemplo.
Alm disso, a familiaridade com a rotina escolar e com o conhecimento escolarizado tambm
torna possvel desenvolver estudos e pesquisas mais complexos, e permite que os alunos trabalhem
de forma mais independente da mediao do professor, embora este ainda deva atuar como
intermedirio entre o conhecimento dos alunos e o conhecimento geogrfico, criando situaes
significativas de aprendizagem que aproximem os alunos das categorias de espao geogrfico,
territrio, paisagem e lugar e dos procedimentos bsicos do fazer geogrfico.
Essas situaes de aprendizagem, como no ciclo anterior, podem estar apoiadas em diferentes
fontes de informao e recursos didticos  como os estudos do meio, os relatos, as entrevistas, a
narrativa literria, a pintura, a msica, o estudo de diferentes culturas, a cartografia , promovendo
uma compreenso mais ampla e crtica da realidade, bem como um posicionamento mais propositivo
perante questes relativas s condies de vida (sade, meio ambiente, transporte, educao, lazer,
etc.) da coletividade.
O estudo sobre a representao do espao segue de modo semelhante ao primeiro ciclo,
embora seja possvel abordar de forma mais aprofundada as noes de distncia, direo e orientao
e iniciar um trabalho mais aprofundado com as noes de proporo e escala. J se pode esperar
que os alunos compreendam que para representar o espao  preciso obedecer a certas regras e
convenes postuladas pela linguagem cartogrfica e comecem a domin-las na produo de mapas
95
simples, relacionados com o espao vivido e outros mais distantes. Atividades nas quais os alunos
tenham que refletir, questionar, comunicar e compreender informaes expressas por meio dessas
regras e convenes  e no apenas descrev-las e memoriz-las  podem ser planejadas pelo
professor para que as conheam e aprendam a utiliz-las. Os referenciais de localizao, os pontos
cardeais, as divises e contornos polticos dos mapas, o sistema de cores e legendas podem e
devem ser trabalhados.
Tambm no que se refere  leitura, a prtica do professor deve favorecer uma autonomia
crescente na consulta e obteno de informaes por meio de mapas, atlas, globo terrestre e at
mesmo de maquetes, plantas e fotos areas. Nesse sentido, os diferentes tipos de mapas, os mltiplos
temas que so representados por meio dessa linguagem e as razes que determinam a
relevncia de seu mapeamento podem ser temas de discusso e estudo. Estudar conceitos
fundamentais, tradicionalmente representados pela linguagem cartogrfica  como relevo, vegetao,
clima, populao, tamanho, distribuio , no s passa a ser pertinente como tambm
fundamental para que os alunos ampliem seus conhecimentos sobre essa linguagem.
Nesse momento da escolaridade passa a ser interessante tambm discutir com os alunos a
linguagem cartogrfica como uma produo humana, marcada pelos alcances e limites dos recursos
tcnicos e das intenes dos sujeitos e das pocas que dela se valem para representar o espao
geogrfico. Estudar a histria da cartografia  uma forma adequada de aproximar a Histria e a
Geografia num estudo sobre como diferentes sociedades em tempos e espaos distintos percebiam
e representavam seu entorno e o mundo: as tcnicas e os conhecimentos, o imaginrio, as intenes
polticas e econmicas, os medos e desejos.
Continua sendo papel fundamental do professor considerar os conhecimentos que os alunos j possuem
para planejar situaes de ensino e aprendizagem significativas e produtivas. Para isso,  preciso conhecer
os avanos e os problemas de seus alunos, bem como a adequao de suas propostas, de modo a
aperfeioar sua ao pedaggica. A interface com as demais disciplinas tambm deve ser observada,
de modo a proporcionar estudos mais completos sobre um tema cuja compreenso, por parte dos
alunos, tanto a Geografia, como a Histria, as Cincias, a Arte e a Matemtica podem ampliar, por
meio de suas abordagens e explicaes.
Objetivos de Geografia para o segundo ciclo
Espera-se que ao final do segundo ciclo os alunos sejam capazes de:
 reconhecer e comparar o papel da sociedade e da natureza na construo
de diferentes paisagens urbanas e rurais brasileiras;
 reconhecer semelhanas e diferenas entre os modos de vida das cidades
e do campo, relativas ao trabalho, s construes e moradias, aos hbitos
cotidianos, s expresses de lazer e de cultura;
 reconhecer, no lugar no qual se encontram inseridos, as relaes
existentes entre o mundo urbano e o mundo rural, bem como as relaes
que sua coletividade estabelece com coletividades de outros lugares
e regies, focando tanto o presente e como o passado;
 conhecer e compreender algumas das conseqncias das transformaes da
natureza causadas pelas aes humanas, presentes na paisagem local e
em paisagens urbanas e rurais;
96
 reconhecer o papel das tecnologias, da informao, da comunicao e
dos transportes na configurao de paisagens urbanas e rurais e na
estruturao da vida em sociedade;
 saber utilizar os procedimentos bsicos de observao, descrio,
registro, comparao, anlise e sntese na coleta e tratamento da informao,
seja mediante fontes escritas ou imagticas;
 utilizar a linguagem cartogrfica para representar e interpretar informaes
em linguagem cartogrfica, observando a necessidade de indicaes de
direo, distncia, orientao e proporo para garantir a legibilidade da
informao;
 valorizar o uso refletido da tcnica e da tecnologia em prol da preservao
e conservao do meio ambiente e da manuteno da qualidade de
vida;
 adotar uma atitude responsvel em relao ao meio ambiente, reivindicando,
quando possvel, o direito de todos a uma vida plena num ambiente
preservado e saudvel;
 conhecer e valorizar os modos de vida de diferentes grupos sociais, como
se relacionam e constituem o espao e a paisagem no qual se encontram
inseridos.
Blocos temticos e contedos:
as paisagens urbanas e rurais,
suas caractersticas e relaes
So muitos e variados os temas que podem ser pesquisados a partir do estudo de paisagens
urbanas e rurais, suas caractersticas e relaes. Embora cada unidade escolar e cada professor
possa propor os seus, a depender das necessidades e problemticas relevantes para os alunos, a
escola ou a comunidade na qual se encontram inseridos, aqueles selecionados devem abordar as
dimenses sociais, culturais e ambientais que a se encontram presentes, bem como o papel do
trabalho, das tecnologias, da informao, da comunicao e do transporte. At mesmo o territrio
no qual essas paisagens se inserem deve ser considerado, a fim de que possam ser abordadas as
determinaes poltico-administrativas que a se encontram presentes.
Seguem sugestes de blocos temticos que podem ser estudados com os alunos e, como no
primeiro ciclo, so apresentados de modo amplo, pois se configuram como sugestes e no devem
ser compreendidos como uma seqncia de assuntos a serem aprendidos ou ainda como blocos
isolados, que no se comunicam entre si. O professor pode aqui, tambm, trabalhar com um ou
mais blocos ao mesmo tempo, reunidos no estudo de paisagens urbanas e rurais.
O PAPEL DAS TECNOLOGIAS NA CONSTRUO DE
PAISAGENS URBANAS E RURAIS
Este tema enfoca o papel das tecnologias na configurao das paisagens urbanas e rurais.
Pelo estudo comparativo de como diferentes grupos sociais utilizam e elaboram tcnicas e
97
tecnologias para superar seus problemas cotidianos e garantir sua sobrevivncia, os alunos podem
compreender como o trabalho humano e as diferentes formas de apropriao da natureza constituem
e diferenciam espaos geogrficos.
O trabalho e as tecnologias influem nos ritmos da cidade e do campo, nas suas formas, na sua
organizao. Como se relacionam com a vida cotidiana, qual seu papel: o conforto e desconforto que trazem,
os benefcios e malefcios.  possvel comparar tcnicas e tecnologias antigas e modernas  como, por
exemplo, o martelo e a serra eltrica, a colheita manual e a industrializada  e avaliar se o que  mais
moderno  realmente melhor. Pode-se estudar como as tecnologias aparecem distribudas nas
paisagens e nas diferentes atividades: onde esto, por quem so utilizadas, quem tem acesso a elas.
Por exemplo, que mudanas ocorreram com a inveno da geladeira ou da energia eltrica. Como
diferentes setores da sociedade usam e abusam das tecnologias e quais suas responsabilidades
perante o meio ambiente, nos desmatamentos, no lanamento de poluentes para a atmosfera. Quem
so os atores sociais que definem quais e como se utilizam as tecnologias e quem sofre os prejuzos
de seu uso indevido.
INFORMAO, COMUNICAO E INTERAO
Este tema refere-se s alteraes que o fluxo de informaes fez e faz na vida em sociedade.
 possvel estudar a histria dos meios de comunicao, sua criao e seu significado social; como
a inveno do rdio, da TV, do telefone, do jornal modificaram a vida das pessoas; como podem
criar novas e mltiplas relaes entre os lugares.  possvel analisar as alteraes que o uso dos
computadores trouxe na relao entre os lugares, nas relaes sociais e econmicas e nos hbitos
culturais. Como expressam as paisagens urbanas e rurais, como as paisagens so influenciadas
umas pelas outras por meio das imagens veiculadas na televiso, nos jornais, nas revistas, etc. Uma
abordagem crtica, analisando a descaracterizao que os meios de comunicao podem ocasionar,
principalmente no comportamento, na fala, no estmulo ao consumo  fundamental para uma
compreenso mais ampla deste tema. Analis-lo a partir das diferenas entre os meios de
comunicao, sua influncia no mundo urbano e no mundo rural  que lugares a mdia trata, quais
ignora e por que so formas interessantes de discutir com os alunos a informao e a comunicao
como fruto do trabalho humano, permeado por decises poltico-administrativas.
DISTNCIAS E VELOCIDADES NO MUNDO URBANO
E NO MUNDO RURAL
Este tema diz respeito ao transporte e sua influncia na vida em sociedade, as alteraes que
imprimem nas paisagens. Tambm as semelhanas e as diferenas entre o urbano e o rural podem
ser aqui tratadas: discutir o espao que alguns meios de transporte ocupam, como, por exemplo, o
automvel, e as implicaes de seu uso na configurao das cidades mediante a construo de vias,
viadutos, pontes, tneis, etc.; em contraposio, o papel dos transportes coletivos no passado e no
presente. Pode-se estudar a utilizao do automvel sob o ponto de vista do trabalho, da indstria
ou da comunicao, assim como dos meios de transporte fluviais, predominantes em muitas regies
do Brasil.
Nesse sentido,  interessante discutir e comparar as permanncias e transformaes dos
meios de transporte em regies diferentes: lugares onde se anda a cavalo, de barco ou a p; lugares
onde existem problemas sociais ligados aos meios de transporte, tais como trnsito, acidentes,
atropelamentos, de sade e ambientais; ou ainda abordar a questo energtica, estudando-se os
combustveis utilizados pelo transporte.
98
URBANO E RURAL: MODOS DE VIDA
Atravs deste tema  possvel organizar estudos nos quais os alunos pesquisem e comparem
como as paisagens urbanas e rurais definem e possibilitam diferentes modos de vida. No entanto,
os mundos urbano e rural no devem ser focados sem seus sujeitos: os grupos sociais que neles se
encontram presentes devem tambm ser abordados. Afinal, o modo de vida dos habitantes da
regio da floresta amaznica, por exemplo, no pode ser definido segundo um nico padro:
ribeirinhos vivem de forma distinta dos grupos indgenas, embora ambos possam ser localizados
em zonas rurais dessa regio. Questes relativas ao trabalho, s tecnologias e at mesmo 
comunicao que existe entre os modos de vida dos grupos sociais estudados podem ser enfocadas,
tanto do ponto de vista do presente como do passado.
Esses blocos temticos contemplam contedos de diferentes dimenses: conceituais,
procedimentais e atitudinais que, segundo esta proposta de ensino, so considerados como
fundamentais para atingir as capacidades definidas para esse segmento da escolaridade. A seguir,
so apresentados em forma de lista, de modo a destacar suas dimenses e as principais relaes
que existem entre eles:
 identificao de processos de organizao e construo de paisagens
urbanas e rurais ao longo do tempo;
 caracterizao e comparao entre as paisagens urbanas e rurais de
diferentes regies do Brasil, considerando os aspectos da espacializao
e especializao do trabalho, a interdependncia entre as cidades e o
campo, os elementos biofsicos da natureza, os limites e as possibilidades
dos recursos naturais;
 comparao entre o uso de tcnicas e tecnologias por meio do trabalho
humano nas cidades e no campo, envolvendo modos de vida de diferentes
grupos sociais, aproximando-se do debate entre o moderno e o tradicional;
 reconhecimento do papel das tecnologias na transformao e apropriao
da natureza e na construo de paisagens distintas;
 reconhecimento do papel da informao e da comunicao nas dinmicas
existentes entre as cidades e o campo;
 compreenso das funes que o transporte assume nas relaes entre as
cidades e o campo, observando seu papel na interdependncia que existe
entre ambos;
 comparao entre os diferentes meios de transporte presentes no lugar
onde se vive, suas implicaes na organizao da vida em sociedade e
nas transformaes da natureza;
 levantamento, seleo e organizao de informaes a partir de fontes
variadas, como fotografias, mapas, notcias de jornal, filmes, entrevistas,
obras literrias, msicas, etc.;
 representao em linguagem cartogrfica das caractersticas das paisagens
estudadas por meio da confeco de diferentes tipos de mapas, observando
a necessidade de indicar a direo, a distncia, a proporo para
garantir a legibilidade das informaes;
99
 leitura e compreenso das informaes expressas em linguagem
cartogrfica e em outras formas de representao do espao, como fotografias
areas, plantas maquetes, entre outras;
 organizao de pesquisas e reapresentao dos conhecimentos adquiridos
em obras individuais ou coletivas: textos, exposies, desenhos,
dramatizaes, seminrios, etc.;
 valorizao do uso refletido da tcnica e da tecnologia em prol da
reabilitao e conservao do meio ambiente e da manuteno da qualidade
de vida;
 respeito e tolerncia por modos de vida e valores de outras coletividades
distantes no tempo e no espao.
Critrios de avaliao de Geografia
para o segundo ciclo
Ao final do segundo ciclo, os alunos devem ter avaliadas suas conquistas numa perspectiva de
continuidade aos seus estudos. A avaliao deve ser planejada, assim, relativamente aos conhecimentos
que sero recontextualizados e utilizados em estudos posteriores. Para isso  necessrio estabelecer
alguns critrios. De modo amplo, so eles:
 Reconhecer e comparar os elementos sociais e naturais que compem paisagens
urbanas e rurais brasileiras, explicando alguns dos processos de interao existentes
entre elas
Com este critrio avalia-se se o aluno  capaz de distinguir diferentes paisagens urbanas e
rurais brasileiras e de explicar algumas das dinmicas existentes entre elas. O conhecimento do
urbano e do rural pode ser avaliado tambm a partir daquilo que o aluno  capaz de observar,
descrever, relacionar e compreender de suas manifestaes na paisagem local ou na regio na qual
ele se encontra inserido e as relaes que sua coletividade estabelece com o campo e/ou outras
cidades.
 Reconhecer semelhanas e diferenas entre os modos de vida das cidades e do campo
Com este critrio avalia-se se o aluno reconhece, relaciona e compreende modos de vida das
cidades e do campo, focando aspectos relativos aos tipos e ritmos de trabalho, s formas de moradia
e organizao e distribuio da populao, aos hbitos cotidianos, s expresses culturais e de
lazer.
 Reconhecer o papel das tecnologias, da informao, da comunicao e dos transportes na
configurao de paisagens urbanas e rurais e na estruturao da vida em sociedade
Com este critrio avalia-se se o aluno  capaz de reconhecer e comparar os modos e as razes
que levam diferentes grupos sociais, inclusive o seu prprio, a produzir conhecimentos tcnicos e
tecnolgicos, sendo capaz de discernir benefcios e prejuzos por eles causados, localizar alguns
lugares e sujeitos que deles podem dispor. Avalia-se tambm, se  capaz de perceber e compreender
o papel desses conhecimentos na construo de paisagens urbanas e rurais.
100
 Estabelecer algumas relaes entre as aes da sociedade e suas conseqncias
para o ambiente
Com este critrio avalia-se se o aluno  capaz de conhecer e compreender algumas das
conseqncias das transformaes da natureza causadas pelas aes humanas, presentes na paisagem
local e em paisagens urbanas e rurais.
 Representar e interpretar informaes sobre diferentes paisagens utilizando
procedimentos convencionais da linguagem cartogrfica
Com este critrio avalia-se se o aluno  capaz de utilizar algumas das convenes na produo
e na leitura de mapas simples, maquetes e roteiros: direo, distncia, orientao, proporo, o
sistema de cores e de legendas, a diviso e o contorno dos mapas polticos, os pontos cardeais, etc.
Tambm, se  capaz de interpretar informaes de mapas com diferentes temticas  relevo,
clima, distribuio da populao, dos bens econmicos, etc. , realizando comparaes e
sobreposies entre essas informaes.
 Observar, descrever, explicar, comparar e representar paisagens urbanas e rurais
Com este critrio avalia-se se o aluno  capaz de utilizar procedimentos bsicos do fazer
geogrfico de observar, descrever, explicar, comparar e representar paisagens urbanas e rurais.
Isso corresponde s capacidades que ele desenvolveu para ler uma imagem e a paisagem como
uma imagem, entendendo que essa leitura no deve ser apenas uma reproduo daquilo que est
visvel de imediato, mas tambm uma primeira interpretao daquilo que se v. Saber questionar,
relacionar, comparar e compreender a necessidade de pesquisar em outras fontes de informao
so algumas das capacidades que deve ter desenvolvido, j possuindo autonomia para realiz-las.
101
ORIENTAES DIDTICAS
O ensino de Geografia, de forma geral,  realizado por meio de aulas expositivas ou da
leitura dos textos do livro didtico. Entretanto,  possvel trabalhar com esse campo do conhecimento
de forma mais dinmica e instigante para os alunos, mediante situaes que problematizem os
diferentes espaos geogrficos materializados em paisagens, lugares e territrios; que disparem
relaes entre o presente e o passado, o especfico e o geral, as aes individuais e as coletivas; e
promovam o domnio de procedimentos que permitam aos alunos ler a paisagem local e outras
paisagens presentes em outros tempos e espaos.
Na sala de aula, o professor pode planejar essas situaes considerando a prpria leitura da paisagem,
a observao e a descrio, a explicao e a interao, a territorialidade e a extenso, a anlise e o trabalho
com a representao do espao. Nestas orientaes didticas, procurou-se explicitar como e por que tais
aspectos podem ser utilizados pelo professor no planejamento de seu trabalho.
Leitura da paisagem
A abordagem dos contedos da Geografia insere-se na perspectiva da leitura da paisagem, o
que permite aos alunos conhecerem os processos de construo do espao geogrfico. Conhecer
uma paisagem  reconhecer seus elementos sociais, culturais e naturais e a interao existente
entre eles;  tambm compreender como ela est em permanente processo de transformao e
como contm mltiplos espaos e tempos.
A leitura da paisagem pode ocorrer de forma direta  mediante a observao da paisagem de
um lugar que os alunos visitaram  ou de for-ma indireta  por meio de fotografias, da literatura, de
vdeos, de relatos.
Uma maneira interessante de iniciar a leitura da paisagem  por intermdio de uma pesquisa
prvia dos elementos que a constituem. Essa pesquisa pode ocorrer apoiada em material fotogrfico,
textos ou pela sistematizao das observaes que os alunos j fizeram em seu cotidiano. Por esse
levantamento inicial, o professor e os alunos podem problematizar, formular questes e levantar
hipteses que impliquem investigaes mais aprofundadas, demandem novos conhecimentos.
A partir dessa pesquisa inicial, consultar diferentes fontes de informao, tais como obras
literrias, msicas regionais, fotografias, entrevistas ou relatos, torna-se essencial na busca de novas
informaes que ampliem aquelas que j se possui. A compreenso geogrfica das paisagens significa
a construo de imagens vivas dos lugares que passam a fazer parte do universo de conhecimentos
dos alunos, tornando-se parte de sua cultura. Os trabalhos prticos com maquetes, mapas mentais
e fotografias areas podem tambm ser utilizados.
O desenvolvimento da leitura da paisagem possibilita ir ao encontro das necessidades do
mundo contemporneo no qual o apelo s imagens  constante. No processo de leitura, um aspecto
fundamental  a aquisio de habilidades para ler diferentes tipos de imagens, tais como a fotografia,
o cinema, os grafismos, as imagens da televiso e a prpria observao a olho nu tomada de
diferentes referenciais (angulares e de distncia). Uma mesma imagem pode ser interpretada de
muitas maneiras. Por exemplo, a imagem de um condomnio de prdios pode ser lida de modo
diferente por um engenheiro construtor, um engenheiro de trfego, um ecologista, um poltico, um
favelado ou ainda por uma criana do meio rural. Ao se introduzir a leitura da paisagem, a comparao
das diferentes leituras de um mesmo objeto  muito importante, pois permite o confronto de idias,
interesses, valores socioculturais, estticos, econmicos, enfim, das diferentes interpretaes
existentes e a constatao das intencionalidades e limitaes daquele que observa.
Alm disso, possibilita a elaborao de questionamentos fundamentais sobre o que prevalece
numa paisagem, pois sua histria  marcada pelas decises que venceram e determinaram a sua
102
imagem.  importante comparar uma mesma paisagem em tempos diferentes e descobrir como e
por que mudou, quem decidiu mudar, a quem beneficiou ou prejudicou. No trabalho comparativo
 que sobressaem as intencionalidades daqueles que agiram.
A leitura da paisagem por meio da identificao de suas estruturas auxilia tambm a perceber
que muitos problemas enfrentados no bairro, na cidade, no municpio e em outras paisagens so
resultados de aes. Quando se compara uma paisagem rural de agricultura comercial em confronto
com outra de agricultura ecolgica, rios poludos ou no, grandes e pequenas cidades, pode-se
ver e avaliar os resultados dessas aes, pois esto impressos na paisagem.
O trabalho de observao da paisagem deve iniciar pelas caractersticas que mais tocam cada
um. Uma mesma paisagem pode ser comunicada oralmente, textualmente ou em desenho de
forma distinta por cada pessoa que a tente representar. Isso refora a idia de que, quando se
observa a paisagem, busca-se identificar os aspectos que fazem cada um se aproximar dela.
Descrio e observao
A observao e a descrio como procedimentos do processo do conhecimento no so
exclusivas da Geografia. Outras cincias as utilizam, principalmente as Cincias Naturais.
No caso da Geografia, muitos generalizam a descrio como nico procedimento de
interpretao, definindo-a como sendo a descrio da Terra. Porm, a descrio  somente um
dos momentos que caracterizam sua metodologia. A observao e a descrio so os pontos
de partida bsicos para incio da leitura da paisagem e construo de sua explicao.
A descrio  fundamental, porque a paisagem no  experimental e sim visual. Assim, as
excurses de reconhecimento, o uso das imagens areas, das fotografias comuns, das imagens
cotidianas da televiso, dos mapas, etc., so recursos que podem ajudar o professor. Aulas descritivas
de paisagem no atingem o objetivo de dar ao estudante a capacidade de realizar levantamentos
das caractersticas visveis na paisagem, fazer sua documentao, sistematizando assim a observao.
Explicao e interao
A explicao para a Geografia  o procedimento que permite responder o porqu das coisas
e dos fenmenos lidos numa paisagem.
 sabido que a simples descrio dos lugares no esgota a anlise do seu objeto.  necessrio
explicar como aqueles fatores que a constituem se organizaram, para lhe permitir uma identidade.
Ou seja, a explicao  o momento da compreenso das interaes dos fatos. Por exemplo, se
apenas fosse descrita a paisagem urbana da cidade de uma capital brasileira, isso levaria a contemplla
e no ao entendimento da sua presena e de sua essncia como cidade; ou, ainda, como a
histria e a natureza interagiram para permitir seu aparecimento e expanso.
A explicao, na anlise de qualquer objeto, procura sempre decomp-lo em partes. Caminha
do particular para o geral. Isso significa dizer: induz e deduz sobre a realidade. No caso da Geografia,
como o objeto da anlise  o territrio e a paisagem, caracterizados tanto pelos elementos sociais
quanto pelos naturais, essa anlise dever estar sempre atenta para as interaes entre esses dois
elementos da realidade.
Como uma cincia social, porm com especificidade de trabalhar a sociedade e a natureza, a
anlise torna-se complexa, pois deve explicar como dois conjuntos de elementos interagem sem
deixar de lembrar que tanto a natureza como a sociedade guardam nveis de interaes que lhes
so especficas internamente.
103
Territorialidade e extenso
Nenhum estudo geogrfico das formas de interaes entre a sociedade e a natureza poder
estar desvinculado da territorialidade ou extenso do fato estudado. Os lugares tm, por exemplo,
fronteiras territoriais. O territrio  a base fsica e material da paisagem, expressa-se numa determinada
extenso, permitindo, assim, que se estabelea alguma forma de fronteira.
As fronteiras se estabelecem por meio de diferentes relaes de comrcio, de comunicao,
de circulao de pessoas, e, pela sua natureza concreta, sero passveis de uma representao
cartogrfica porque sempre definem uma extenso. Por exemplo: a rea de influncia de uma
cidade, at onde ela pode ser considerada como centro importante dos fluxos comerciais ou de
pessoas, poder ser territorialmente representada em mapas.
O princpio da territorialidade dos fenmenos geogrficos definidos pelo processo de
apropriao de natureza pela sociedade garante a possibilidade de se estabelecerem os limites e as
fronteiras desses fenmenos, sua extenso e tendncias espaciais. So, portanto, fenmenos
localizveis e concretos. Isso facilita sua representao cartogrfica.
Hoje, mais do que nunca, com o auxlio da computao grfica, a cartografia, como uma das
importantes disciplinas no estudo da Geografia, vem elaborando uma variedade muito grande de
mapas temticos, perm itindo estudos sobre fluxos econmicos, formas de ocupao do solo,
distribuio dos recursos naturais, etc. A representao cartogrfica, inclusive dos territrios em
conflito, permite a visualizao das fronteiras em estado de tenso poltica.
Analogia
A palavra analogia significa comparao, semelhana de relaes. A Geografia tem por
objetivo buscar a explicao das diferentes paisagens, territrios e lugares como resultado de
combinaes prprias que marcam suas singularidades. Por analogias, pode-se chegar a definir a
natureza dessas diferenas. Pode-se dizer que o que caracteriza o espao mundial so as significativas
diferenas entre os lugares.
Assim sendo,  preciso reconhecer a singularidade e a especificidade dos lugares, o que,
entretanto, no limita a possibilidade de se buscar solues para os diferentes problemas que possam
existir em cada um deles, aproveitando-se das experincias dos outros.
A representao do espao no
estudo da Geografia
O espao , simultaneamente, noo e categoria.  noo no sentido de estrutura mental
que se constri desde o nascimento at a formalizao do pensamento e  categoria como objeto
de estudo da Geografia. Sem dvida, trata-se de dois aspectos de uma mesma questo, cada um
guardando suas especificidades, mas, ao mesmo tempo, com suas contribuies para que os alunos
ampliem seus conhecimentos a respeito do espao como noo e do espao como categoria da
Geografia, o espao geogrfico.
A aquisio da noo de espao  um processo complexo e progressivo de extrema importncia
no desenvolvimento das pessoas. No se pode consolid-la, portanto, apenas por meio de um
processo que parte de noes simples e concretas para as mais abstratas, como se sua aquisio
fosse linear e monoltica. Na escolaridade isso significa dizer que no h apenas uma maneira de
104
construir essa noo: ela no se restringe apenas aos contedos da Geografia, mas permeia
praticamente todas as reas, no sendo um contedo em si, mas algo inerente ao desenvolvimento
dos alunos. Entretanto, as experincias de aprendizagem vividas pelos alunos, nas quais tenham
que refletir sobre essa noo nas mais diversas reas e num ambiente rico em informaes, contribuem
para a construo de uma noo espacial mais abrangente e mais complexa.
A categoria de espao geogrfico, como objeto de estudo dos gegrafos, deve ter um
tratamento didtico que possibilite a interao dos alunos. Por um lado, a compreenso do espao
geogrfico ser trabalhada sempre que se estudar a paisagem, o territrio e o lugar; por outro, a
questo da representao espacial, no contexto dos estudos,  um caminho importante para
compreender a espacialidade dos fenmenos (ampliando a noo de espao), para entender a
funo social da linguagem cartogrfica, bem como os processos histrico-sociais de sua construo.
Sendo assim, o professor deve abordar, simultaneamente, dois eixos: a leitura e a produo
da linguagem cartogrfica. A compreenso desse sistema de representao ocorre quando h
sucessivas aproximaes dos dois eixos, no sendo o primeiro condio para o segundo, isto ,
para se fazer mapas no  necessrio que se aprenda a l-los antes. Sem dvida, essa  uma linguagem
complexa que envolve diferentes aspectos e no  possvel aos alunos dar conta de todos,
principalmente nos primeiros ciclos, quando ainda tm muita dificuldade em definir outros
referenciais espaciais que no estejam vinculados a si mesmos. Isso quer dizer que muitas vezes
faro mapas que no respeitam um sistema nico de projees (vertical ou oblqua), no mantm a
proporcionalidade, no sistematizam smbolos, etc. Assim, cabe ao professor criar diferentes situaes
nas quais os alunos tenham de priorizar um ou outro aspecto, tanto na produo quanto na
leitura, para que, gradualmente, consigam coorden-los, apropriando-se tanto das convenes como
do funcionamento dessa linguagem.
O professor deve tambm considerar as idias que seus alunos tm sobre a representao do
espao. As crianas sabem fazer coisas como descrever os trajetos que percorrem, organizar um
cmodo com seus mveis, ou desenhar um mapa do tesouro, entre outras. A partir desse tipo de
conhecimento, o professor pode pensar em problematizaes que explicitem a necessidade de se
representar o espao e, ao faz-lo, novas exigncias podero se evidenciar: criar legendas, manter
algum tipo de proporcionalidade, respeitar um sistema de projeo, esclarecer orientao, direo
e distncia entre os fatos representados. Tambm, ao fazer a leitura de mapas, deve-se considerar
que os alunos so capazes de deduzir muitas informaes, principalmente se a leitura estiver
contextualizada e eles estiverem em busca de alguma informao. Por exemplo, ler um mapa
fsico da regio em que vivem e tentar descobrir quais so os lugares mais altos, mais baixos,
planos ou no planos a partir do conhecimento que tm sobre o lugar e da interpretao das legendas.
No se pode perder de vista que a funo social da linguagem cartogrfica  de comunicao
de informaes sobre o espao, ou seja, deve haver situao comunicativa, para que a atividade
seja significativa e ocorra aprendizagem. A situao caracteriza-se dessa forma quando h alguma
informao espacial sendo representada e comunicada para algum interlocutor dentro de um
contexto social. Nesse caso, as crianas podem tanto ser os usurios, leitores, quanto os produtores,
que comunicam algo.
Compreender e utilizar a linguagem cartogrfica, sem dvida alguma, amplia as possibilidades
dos alunos de extrair, comunicar e analisar informaes em vrios campos do conhecimento 
alm de contribuir para a estruturao de uma noo espacial flexvel, abrangente e complexa.
Compreender a espacialidade dos fenmenos estudados, no presente e no passado, e compar-la
por meio de suas sobreposies  algo que a prpria Geografia busca fazer e os alunos dos ciclos
iniciais tambm podem realizar. Ler em mapas como a populao de uma regio est distribuda e
como o clima e a vegetao tambm o esto para comparar as informaes obtidas e formular
hipteses variadas sobre suas relaes  uma forma de se aproximar e compreender os procedimentos
pelos quais este campo do conhecimento se constitui.
105
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17. Presidente Prudente: AGB, 1995.
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FICHA TCNICA
Coordenao
Ana Rosa Abreu, Maria Cristina Ribeiro Pereira, Maria Tereza Perez Soares, Neide Nogueira.
Elaborao
Aloma Fernandes Carvalho, Ana Amlia Inoue, Ana Rosa Abreu, Antonia Terra, Clia M. Carolino
Pires, Circe Bittencourt, Cludia R. Aratangy, Flvia I. Schilling, Karen Muller, Ktia L. Brkling,
Marcelo Barros da Silva, Maria Ambile Mansutti, Maria Ceclia Condeixa, Maria Cristina Ribeiro
Pereira, Maria F. R. Fusari, Maria Heloisa C.T. Ferraz, Maria Isabel I. Soncini, Maria Tereza
Perez Soares, Marina Valado, Neide Nogueira, Paulo Eduardo Dias de Melo, Regina Machado,
Ricardo Breim, Rosaura A. Soligo, Rosa Iavelberg, Rosely Fischmann, Silvia M. Pompia, Sueli A.
Furlan, Telma Weisz, Thereza C. H. Cury, Yara Sayo, Yves de La Taille.
Consultoria
Csar Coll
Dlia Lerner de Zunino
Assessoria
Adilson O. Citelli, Alice Pierson, Ana M. Espinosa, Ana Teberosky, Artur Gomes de Morais,
Guaraciaba Micheletti, Helena H. Nagamine Brando, Hermelino M. Neder, Iveta M. B. vila
Fernandes, Jean Hbrard, Joo Batista Freire, Joo C. Palma, Jos Carlos Libneo, Ligia Chiappini,
Lino de Macedo, Lcia L. Browne Rego, Luis Carlos Menezes, Osvaldo Luiz Ferraz, Yves de La
Taille e os 700 pareceristas - professores de universidades e especialistas de todo o Pas, que
contriburam com crticas e sugestes valiosas para o enriquecimento dos PCN.
Projeto grfico
Vitor Nozek
Reviso e Copydesk
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AGRADECIMENTOS
Alberto Tassinari, Ana Mae Barbosa, Anna Maria Lamberti, Andra Daher, Antnio Jos Lopes,
Aparecida Maria Gama Andrade, Barjas Negri, Beatriz Cardoso, Carlos Roberto Jamil Curi, Celma
Cerrano, Cristina F. B. Cabral, Elba de S Barreto, Eunice Durham, Heloisa Margarido Salles,
Hrcules Abro de Arajo, Jocimar Daolio, Lais Helena Malaco, Ldia Aratangy, Mrcia da Silva
Ferreira, Maria Ceclia Cortez C. de Souza, Maria Helena Guimares de Castro, Marta Rosa Amoroso,
Mauro Betti, Paulo Machado, Paulo Portella Filho, Rosana Paulillo, Sheila Aparecida Pereira
dos Santos Silva, Sonia Carbonel, Sueli Teixeira Mello, Tha Standerski, Vera Helena S. Grellet,
Volmir Matos, Yolanda Vianna, Cmara do Ensino Bsico do CNE, CNTE, CONSED e UNDIME.
Apoio
Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento - PNUD
Projeto BRA 95/014
Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura UNESCO
Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educao
FNDE

